Quanto tempo do seu dia você passa indo e voltando do trabalho?
O que está em jogo
Ônibus e metrô são dos municípios e dos estados, mas as grandes obras saem com dinheiro federal. O que está em jogo é quanto a União vai investir em transporte público e se vai ajudar a pagar a tarifa.
Fatos com fonte
Emenda Constitucional 90
Desde 2015 o transporte é um direito social escrito na Constituição, ao lado de saúde e educação.
A emenda não criou dinheiro novo. Ela dá base legal para cobrar política pública de transporte.
2015
Fonte: Presidência da República, Emenda Constitucional nº 90/2015: transporte como direito social (art. 6º da Constituição). Abrir a fonte
Fonte: IBGE, Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF). Abrir a fonte
Muitas obras de mobilidade anunciadas desde 2007 atrasaram ou nunca foram entregues.
Fonte: Ministério das Cidades, Novo PAC: carteira de obras de mobilidade urbana. Abrir a fonte
Passagem de avião segue cara para a maioria.
Fonte: ANAC, Dados e estatísticas do transporte aéreo: passageiros pagos por ano. Abrir a fonte
Como conversar sobre isso
Para começar: Que horas você sai de casa para chegar no serviço às oito?
Se você ouvir: “Ônibus é problema do prefeito, não do presidente.”
Você pode responder: Em parte é. A linha é do prefeito, mas metrô e corredor de ônibus quase sempre saem com dinheiro federal. Por isso entra na conta do dia 25.
Se você ouvir: “Antes eu viajava de avião, hoje não dá.”
Você pode responder: A passagem está cara mesmo.
Se você ouvir: “A passagem aumenta todo ano.”
Você pode responder: E pesa para quem ganha pouco. Quem define o preço é a prefeitura ou o estado. O governo federal pode ajudar a pagar, e isso está em jogo.
Se você ouvir: “O ônibus vem lotado e ainda querem que eu agradeça.”
Você pode responder: Ninguém tem que agradecer por ônibus ruim. Transporte é direito, e está na Constituição. Direito a gente cobra.
Se você ouvir: “O metrô foi prometido há anos e nunca chega.”
Você pode responder: Muita obra atrasou ou nunca foi entregue, e o site registra. Promessa nova tem que vir com prazo e com dinheiro. Vale cobrar isso dos dois lados.
Se você ouvir: “Tarifa zero é conversa de político.”
Você pode responder: Tem que perguntar quem paga. Transporte é direito social desde 2015, mas a emenda não criou dinheiro novo. Vale ver se o plano diz de onde sai o recurso.
Se você ouvir: “Prefiro andar de moto a esperar ônibus.”
Você pode responder: Dá para entender: é mais rápido. Também é mais perigoso. Se o ônibus fosse bom, você voltaria?
Se você ouvir: “A gasolina está muito cara.”
Você pode responder: Pesa no bolso de quem depende do carro ou da moto para trabalhar. Vale ver o que cada candidato diz que vai fazer com o preço do combustível.
Se você ouvir: “As estradas estão cheias de buraco.”
Você pode responder: Estrada federal é do governo federal, e estrada estadual é do governador. Vale descobrir de quem é a que você usa e cobrar o dono certo.
Se você ouvir: “Pedágio é um assalto.”
Você pode responder: Ninguém gosta de pagar. Pedágio vem com a concessão da estrada. Vale perguntar a cada candidato se pretende conceder mais estradas e com que preço.
Se você ouvir: “Gasto três horas por dia no ônibus.”
Você pode responder: É tempo de vida que não volta. Metrô e corredor de ônibus encurtam a viagem, e quase sempre saem com dinheiro federal. Por isso entra na conta do dia 25.
Se você ouvir: “O carro de aplicativo ficou caro demais.”
Você pode responder: Ficou, e para o motorista também sobra pouco. Aplicativo não substitui ônibus e metrô. Por isso o transporte público importa.
Se você ouvir: “Quem mora longe que se vire.”
Você pode responder: Não devia ser assim. Quem mora longe é quem mais paga passagem e mais perde tempo. Transporte é direito de todo mundo.
Se você ouvir: “À noite ninguém tem coragem de pegar ônibus.”
Você pode responder: O medo é real, principalmente para as mulheres. Segurança no transporte depende de iluminação, de fiscal e de polícia. Vale cobrar da prefeitura e do estado.
Se você ouvir: “Idoso não paga e a conta sobra para mim.”
Você pode responder: A gratuidade a partir dos 65 anos está no Estatuto da Pessoa Idosa. Um dia vai ser a sua vez. A discussão certa é quem cobre esse custo, e não tirar do idoso.