A casa onde você mora hoje é melhor do que a casa onde seus pais cresceram?
O que está em jogo
Muita família saiu do aluguel ou da casa de taipa e viu a luz elétrica chegar pela primeira vez nas últimas duas décadas. O que está em jogo é quem vai conseguir financiar casa nos próximos quatro anos, com quanto subsídio, e quem paga a conta de luz de quem ganha pouco.
Fatos com fonte
mais de 10 milhões de pessoas atendidas
O Luz para Todos levou energia elétrica a milhões de pessoas no campo.
Em 2000, o Censo contou mais de 2 milhões de casas rurais sem luz. O programa foi criado em 2003 e prorrogado por todos os governos seguintes.
2003–2025
Fonte: Ministério de Minas e Energia, Programa Luz para Todos: sobre o programa (página 'Sobre o programa'). Abrir a fonte
O Minha Casa Minha Vida voltou em 2023 a atender as famílias de renda mais baixa.
Criado em 2009, o programa foi substituído em 2020 pelo Casa Verde e Amarela, que parou de construir para a faixa mais pobre. Voltou com o nome original em 2023.
2023
Fonte: Presidência da República, Lei nº 14.620/2023: retoma o Minha Casa Minha Vida (artigos sobre faixas de renda). Abrir a fonte
Muitos conjuntos foram erguidos longe de tudo: sem ônibus, sem posto de saúde, sem escola por perto. O Instituto Escolhas documentou esse efeito nas regiões metropolitanas.
Fonte: Instituto Escolhas, Morar Longe: o Minha Casa Minha Vida e a expansão das regiões metropolitanas. Abrir a fonte
Mais de vinte anos depois do Luz para Todos, a CONAQ registrou comunidades quilombolas ainda sem energia ou com energia ruim.
Fonte: CONAQ, Nota técnica: o contexto do acesso à energia em comunidades quilombolas. Abrir a fonte
Em vários conjuntos, o crime organizado tomou apartamentos e expulsou moradores. Há também processos por defeitos de construção.
Fonte: CGU, Relatórios de avaliação do Minha Casa Minha Vida. Abrir a fonte
O que cada candidatura propõe
Lula (PT)
Manter subsídio para a faixa mais pobre, reformar prédios em áreas centrais e ampliar energia solar em comunidades isoladas.
Resumo feito a partir dos planos registrados no TSE. Leia o plano completo no link.
Como conversar sobre isso
Para começar: Pai, na casa do vô tinha luz? Quando foi que chegou?
Se você ouvir: “Essas casas do governo são tudo longe e malfeitas.”
Você pode responder: Muitas são, é verdade, e foi um erro construir tão longe. Mesmo assim, é escritura no nome de quem pagava aluguel. O que vale perguntar é quem promete construir mais perto e quem promete parar de construir.
Se você ouvir: “Luz para Todos é coisa antiga, já acabou.”
Você pode responder: Ainda tem gente sem luz, principalmente em comunidade isolada. O programa segue ativo e a proposta de cada lado para ele é diferente.
Se você ouvir: “Só ganha casa quem tem conhecido.”
Você pode responder: Essa desconfiança existe, e a lista de quem recebe tem que ser pública. Qualquer pessoa pode pedir essa informação pela Lei de Acesso à Informação. Vale cobrar.
Você pode responder: Tem caso assim, e precisa fiscalizar. Mas pense em quem você conhece que saiu do aluguel. O que mudou na vida dessa pessoa?
Se você ouvir: “O conjunto virou ponto de tráfico.”
Você pode responder: Em vários conjuntos o crime tomou apartamentos, e o site registra isso. É um problema de segurança que veio junto com a casa longe de tudo. Vale perguntar quem propõe construir mais perto.
Se você ouvir: “Minha conta de luz nunca foi tão cara.”
Você pode responder: Pesa mesmo. Para quem ganha pouco existe a tarifa social, e as candidaturas pensam diferente sobre ela. Vale conferir o que cada uma propõe.
Se você ouvir: “Pago aluguel há anos e nunca fui chamado.”
Você pode responder: A fila é grande e isso desanima. O que está em jogo é quantas casas serão financiadas nos próximos quatro anos e para qual faixa de renda.
Se você ouvir: “Prefiro dinheiro na mão para escolher onde morar.”
Você pode responder: É uma ideia que uma das candidaturas defende, com vale para aluguel ou compra. A outra quer continuar construindo. Qual das duas funciona na nossa cidade?
Se você ouvir: “Uns ganham casa de graça e eu pago financiamento.”
Você pode responder: Dá raiva mesmo quando a gente paga tudo sozinho. O subsídio maior é para quem ganha muito pouco. Dá para discutir a medida sem acabar com a ajuda.
Você pode responder: Reclamação justa. Levar o poste é uma coisa, manter a energia boa é outra. Vale cobrar da distribuidora e perguntar o que cada plano diz sobre isso.
Se você ouvir: “O programa parou e depois voltou só por causa de eleição.”
Você pode responder: O programa mudou de nome e de regra em 2020 e voltou em 2023 a atender a faixa mais pobre. Cada governo fez uma escolha. É essa escolha que está em jogo.
Você pode responder: Tem processo por defeito de construção, e quem construiu tem que responder. Cobrar qualidade é certo. É diferente de acabar com o programa.
Se você ouvir: “Quem mora de favor nem entra nessa conta.”
Você pode responder: Muita família mora de favor ou em casa apertada. Vale procurar a prefeitura para saber do cadastro de moradia e perguntar aos candidatos o que propõem para quem está nessa situação.
Se você ouvir: “Energia solar é coisa de rico.”
Você pode responder: Hoje ainda é cara para a maioria. Uma das candidaturas fala em levar energia solar para comunidade isolada. Vale ver como.