Quem foi a primeira pessoa da sua família a entrar na faculdade?
O que está em jogo
Em muita casa brasileira, o primeiro diploma chegou nos últimos vinte anos. Ele veio por bolsa, por cota, pelo Enem ou por um Instituto Federal perto de casa. O que está em jogo é se essas portas continuam abertas do jeito que estão, se mudam de regra ou se encolhem.
3 fatos com fonte
50% das vagas
Metade das vagas das universidades e institutos federais é reservada para quem estudou em escola pública.
A Lei de Cotas é de 2012 e foi revista em 2023. Dentro dessa metade há reserva por renda, cor e deficiência.
2012 em diante
Fonte: Presidência da República, Lei nº 12.711/2012: Lei de Cotas (art. 1º). Abrir a fonte
Resumo feito a partir dos planos registrados no TSE. Leia o plano completo no link.
Como conversar sobre isso
Para começar: Tia, a senhora lembra do dia em que a Ju passou na faculdade? Como ela pagou o curso?
Se você ouvir: “Cota é injusta, tem que entrar por mérito.”
Você pode responder: Faz sentido querer mérito. A cota é para quem estudou em escola pública, que é a maioria do país. E os estudos das universidades mostram que o cotista tira nota parecida e desiste menos.
Você pode responder: Tem curso ruim mesmo, e bolsa do governo não devia pagar curso ruim. Isso é para consertar. A pergunta é se a gente conserta ou fecha a porta.
Se você ouvir: “Cota tira vaga de quem estudou mais.”
Você pode responder: A cota reserva metade das vagas para quem veio de escola pública. A outra metade segue na disputa geral. Dá para discutir o tamanho, mas a regra está na lei.
Você pode responder: É uma posição que muita gente defende, e uma das candidaturas propõe isso. Hoje a lei combina escola pública, renda, cor e deficiência. Vale comparar as duas propostas.
Se você ouvir: “Pé-de-Meia é pagar para o aluno fazer obrigação.”
Você pode responder: Estudar é obrigação, concordo. Só que muito jovem larga a escola para trabalhar e ajudar em casa. O pagamento exige frequência. A pergunta é se ele segura o aluno na sala.
Se você ouvir: “ProUni só enche o bolso de dono de faculdade.”
Você pode responder: As faculdades deixam de pagar imposto em troca das bolsas, é verdade. E parte das bolsas foi para curso mal avaliado. Dá para cobrar qualidade sem tirar a bolsa do aluno.
Se você ouvir: “Me formei e estou devendo o Fies até hoje.”
Você pode responder: Você não está sozinho. O Fies cresceu sem controle e deixou muita gente com dívida que o salário não paga. Foi um erro. Vale perguntar o que cada candidato propõe para quem deve.
Se você ouvir: “Universidade pública é só para rico.”
Você pode responder: Já foi muito mais. Hoje metade das vagas das federais é de quem veio de escola pública. Tem alguém da nossa família que entrou assim?
Você pode responder: Entendo a preocupação. Tem professor de todo tipo, como em qualquer lugar. O que eu olho é se o filho de quem ganha pouco consegue entrar e se formar.
Se você ouvir: “Tem que investir é no ensino básico, não em faculdade.”
Você pode responder: Concordo que a base é o mais importante. Não precisa escolher um só. Vale ver o que cada plano diz para a creche, para a escola e para o ensino médio.
Se você ouvir: “Curso técnico vale mais que faculdade.”
Você pode responder: Para muita gente vale mesmo. Os Institutos Federais têm curso técnico, e uma das candidaturas fala em abrir mais unidades. Vale conferir.
Se você ouvir: “Jovem hoje não quer saber de estudar.”
Você pode responder: Tem jovem desanimado, sim. Muitos param porque precisam trabalhar. Pergunte para um deles o que faria ele ficar na escola.
Se você ouvir: “Diploma não garante emprego.”
Você pode responder: Não garante, e é frustrante. Mas sem ele a porta nem abre para muita vaga. O que eu quero é curso bom, e isso dá para cobrar.
Se você ouvir: “Na minha época ninguém precisava de bolsa.”
Você pode responder: Na sua época pouca gente chegava na faculdade. Quem foi o primeiro da nossa família a entrar? Como pagou o curso?