Boa parte da comida do dia a dia vem de pequenas propriedades. Crédito barato para plantar e água guardada para a seca decidem se a família fica na roça ou vai embora. O que está em jogo é quanto crédito vai para o pequeno produtor e como a água chega ao Semiárido.
3 fatos com fonte
R$ 78,2 bilhões no Plano Safra 2025/2026
O Pronaf empresta dinheiro a juros baixos para a agricultura familiar desde 1996.
O programa foi criado no governo Fernando Henrique e ampliado nos governos seguintes. O juro baixo é pago com dinheiro do Tesouro.
safra 2025/2026
Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário, Painel de monitoramento do Pronaf e Plano Safra da Agricultura Familiar (anúncio do Plano Safra da Agricultura Familiar). Abrir a fonte
Mais de um milhão de cisternas guardam água da chuva no Semiárido.
As cisternas nasceram de uma proposta das organizações do Semiárido e viraram lei em 2013. O programa encolheu entre 2018 e 2022 e foi retomado em 2023.
2003–2025
Fonte: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Programa Cisternas: tecnologias entregues (painel do programa). Abrir a fonte
Resumo feito a partir dos planos registrados no TSE. Leia o plano completo no link.
Como conversar sobre isso
Para começar: Tio, o senhor lembra da seca de 93? Como a família fez para ter água?
Se você ouvir: “Esse governo é contra o agro.”
Você pode responder: Tem briga com parte do setor, é verdade. Mas o crédito para quem planta pouco existe e cresceu. Vale olhar o que cada lado propõe para o pequeno e para o grande.
Se você ouvir: “O crédito só chega para fazendeiro grande.”
Você pode responder: O Pronaf é para a agricultura familiar. Mesmo assim, ele se concentra nas propriedades mais estruturadas do Sul, e o site mostra isso. Vale perguntar quem propõe levar mais para o Nordeste.
Se você ouvir: “Banco não empresta para quem não tem documento da terra.”
Você pode responder: Esse é um problema real para muita família. Uma das candidaturas propõe titulação definitiva das terras. Vale comparar com a outra proposta.
Se você ouvir: “O MST invade a terra dos outros.”
Você pode responder: Produtores reclamam de insegurança com ocupações, e o site registra. É um ponto em que os dois lados pensam bem diferente. Vale ler o que cada um propõe.
Se você ouvir: “A cisterna rachou e ninguém veio consertar.”
Você pode responder: Acontece, e quem instalou devia dar assistência. Vale procurar a organização ou a prefeitura que fez a obra e cobrar.
Se você ouvir: “Jovem não quer mais ficar na roça.”
Você pode responder: Muitos vão embora porque não veem renda. Crédito para plantar e água para a seca decidem se a família fica. O que seguraria seu filho aqui?
Se você ouvir: “O preço que pagam pelo que eu planto não cobre o custo.”
Você pode responder: Essa é a queixa de muito pequeno produtor. Juro baixo ajuda no custo, mas não garante preço de venda. Vale perguntar o que cada candidato propõe para a compra da produção.
Se você ouvir: “A dívida do banco está me tirando o sono.”
Você pode responder: A inadimplência no crédito rural subiu, e você não está só. Vale procurar o banco antes de a parcela vencer e perguntar aos candidatos o que propõem.
Se você ouvir: “Esse negócio de meio ambiente só atrapalha quem produz.”
Você pode responder: Regra mal explicada atrapalha mesmo. Uma das candidaturas propõe juro menor para quem adota prática sustentável. Pode virar vantagem.
Se você ouvir: “A comida vem do agronegócio, não de sitiante.”
Você pode responder: O grande produz muito. E boa parte da comida do dia a dia vem de pequena propriedade. Os dois existem, e cada um precisa de uma política.